MARMITES

VER NO VIMEO

 

ÉDITIONS BESSARD

FOTOS E TEXTO BY EDU SIMÕES

DESIGNER BY CYRIELLE MOLARD

 

GASTRONOMIA PARA UM DIA DE TRABALHO DURO

Desde o ano de 2004 visito prédios em construção na cidade de São

Paulo. Quando chego, peço aos trabalhadores permissão para fotografar

suas marmitas. Mesmo que famintos, a maioria, pacientemente permite. É a hora do almoço e, como é costume no Brasil, cada um deles, ao sair de

casa de madrugada, trouxe consigo sua marmita. Em geral, estas refeições são preparadas por suas mães ou esposas. Imaginemos que ao levantar-se de madrugada para preparar a marmita, essas mulheres estabelecem uma comunicação muito especial com o outro. Trata-se de uma nutrição tanto afetiva como efetiva. É sabido que a montagem de todas as marmitas traz arroz e feijão em sua base, ainda que não sejam visíveis. Sobre essa base, inicia-se uma "hierarquia de conteúdos" ou uma hierarquia de proteínas mais propriamente dita. Quando um operário abre a sua marmita diante do grupo e mostra ter trazido alguma carne, isso quererá dizer que ele está em melhor condição financeira. Se por outro lado,  ele traz miúdos de frango ou de porco, sua condição parece razoável. E, se ele traz ovos fritos, significa que o seu orçamento financeiro está chegando ao fim. Há na montagem de cada marmita uma expectativa de que este pequeno container possa matar a fome do seu dono. E o faz. Há na montagem de cada marmita uma aposta em mais um dia de trabalho duro. Edu Simões 

 

 

English
MARMITES

SEE ON  VIMEO


ÉDITIONS BESSARD
FOTOS E TEXTO BY EDU SIMÕES
DESIGNER BY CYRIELLE MOLARD


GASTRONOMY FOR A HAARD DAY’S WOK

Since 2004, I have visited several construction sites in São Paulo. When I arrive, I ask the workers for their permission to photograph their “marmitas” (packed lunches.) Even though they’re hungry, most of them patiently give me their permission. It’s lunch time and, as is the custom in Brazil, each worker has left his home very early in the morning carrying his marmita. Generally, these meals are prepared by mothers or wives. Let´s supose that, by getting up at the crack of dawn to prepare this meal, these women establish a very special communication with the other. An affective and effective nurturing. It’s common knowledge that these packed lunches all carry rice and black beans at the bottom, even if you can’t see them. On top of this base, there is a “hierarchy of sustenance” to be added, in other words, a hierarchy of proteins. When a worker opens his marmita before the group and shows that he brought meat, that means his financial situation is very good. On the other hand, if he’s brought chicken giblets or pig entrails, his financial situation is merely alright. However, if the worker’s brought fried eggs in his marmita, that means he is struggling to make ends meet. In the assembling of each marmita is the expectation that this small container will satisfy the hunger of its owner. And it does. In the assembling of each marmita is a bet on another day’s hard work. Edu Simões

Português
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GASTRONOMIA PARA UM DIA DE TRABALHO DURO

Desde o ano de 2004 visito prédios em construção na cidade de São

Paulo. Quando chego, peço aos trabalhadores permissão para fotografar

suas marmitas. Mesmo que famintos, a maioria, pacientemente permite. É a hora do almoço e, como é costume no Brasil, cada um deles, ao sair de

casa de madrugada, trouxe consigo sua marmita. Em geral, estas refeições são preparadas por suas mães ou esposas. Imaginemos que ao levantar-se de madrugada para preparar a marmita, essas mulheres estabelecem uma comunicação muito especial com o outro. Trata-se de uma nutrição tanto afetiva como efetiva. É sabido que a montagem de todas as marmitas traz arroz e feijão em sua base, ainda que não sejam visíveis. Sobre essa base, inicia-se uma "hierarquia de conteúdos" ou uma hierarquia de proteínas mais propriamente dita. Quando um operário abre a sua marmita diante do grupo e mostra ter trazido alguma carne, isso quererá dizer que ele está em melhor condição financeira. Se por outro lado,  ele traz miúdos de frango ou de porco, sua condição parece razoável. E, se ele traz ovos fritos, significa que o seu orçamento financeiro está chegando ao fim. Há na montagem de cada marmita uma expectativa de que este pequeno container possa matar a fome do seu dono. E o faz. Há na montagem de cada marmita uma aposta em mais um dia de trabalho duro. Edu Simões 

 

 

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Since 2004, I have visited several construction sites in São Paulo. When I arrive, I ask the workers for their permission to photograph their “marmitas” (packed lunches.) Even though they’re hungry, most of them patiently give me their permission. It’s lunch time and, as is the custom in Brazil, each worker has left his home very early in the morning carrying his marmita. Generally, these meals are prepared by mothers or wives. Let´s supose that, by getting up at the crack of dawn to prepare this meal, these women establish a very special communication with the other. An affective and effective nurturing. It’s common knowledge that these packed lunches all carry rice and black beans at the bottom, even if you can’t see them. On top of this base, there is a “hierarchy of sustenance” to be added, in other words, a hierarchy of proteins. When a worker opens his marmita before the group and shows that he brought meat, that means his financial situation is very good. On the other hand, if he’s brought chicken giblets or pig entrails, his financial situation is merely alright. However, if the worker’s brought fried eggs in his marmita, that means he is struggling to make ends meet. In the assembling of each marmita is the expectation that this small container will satisfy the hunger of its owner. And it does. In the assembling of each marmita is a bet on another day’s hard work. Edu Simões

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